O filósofo

Em 1912, publicou Leonardo Coimbra O Criacionismo, o primeiro grande marco da sua produção filosófica, por cujo título, quer na forma substantiva quer na adjectiva, se tornaria conhecida a sua filosofia. A noção de «criacionismo» é, porém, anterior a 1912, com génese comprovada no ciclo de dispersos de 1909-1911. Em «A inquisição positivista» (1909), refere o filósofo, pela primeira vez, a sua «hipótese criacionista» já francamente oposta às doutrinas positivistas, materialistas e anti-humanistas, para vir a afirmá-la de modo definitivo, em 1911, como filosofia: «A filosofia, visto ter de abranger todo o real, não será um intelectualismo fossilizado, nem um pragmatismo empírico, mas o que chamo o criacionismo - criação de conceitos científicos e símbolos artísticos, que, sem nunca esgotarem o real, sempre o organizam sob as mais altas aspirações do espírito.» («O preconceito científico». Ibidem: p. 230). No ano seguinte, na abertura de O Criacionismo, sumariava os aspectos essenciais doutrinários da sua posição: não só o criacionismo é uma filosofia, enquanto explicação integral do ser e do saber, do cosmo e da existência, mas ainda um método de pensar que coincide com a vida activa do próprio pensar ou que consiste na essência e modo de ser do pensamento...

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